Novidades
Carregando...

Estudantes lançam manifesto em Defesa da Universidade Comunitária



A Universidade de Caxias do Sul constituiu-se um patrimônio da comunidade regional  ao longo de seus 54 anos de história. Fundada em 1967 por iniciativa da sociedade civil e do Poder Público, tornou-se referência a partir do esforço contínuo de amplos segmentos sociais. Entidades científicas, religiosas, grupos empresariais e operários são exemplos daqueles que construíram esse patrimônio da serra gaúcha.


Sua força reside no potencial intelectual e na capacidade transformadora da comunidade acadêmica, fundada nos princípios de uma Instituição Comunitária: o caráter público não-estatal, sem fins lucrativos, que tem a razão de existência e atuação voltada e apoiada na comunidade, no exercício do interesse coletivo acima do particular-privado, fomentadora do desenvolvimento social, visando a  melhoria da qualidade de vida através da inclusão social e a formação humana para o exercício da cidadania.


Todavia, nos últimos anos, a má-gestão vem corroendo esse legado construído por muitas mãos. A cada semestre, a UCS diminui seu tamanho e capacidade de influência. O índice de estudantes matriculados segue em queda livre, enquanto são fechados espaços de aprendizagem, enxugamento nos currículos e na oferta de cursos, diminuição de serviços à comunidade e demissão de professores. A Universidade que já teve ambição de alçar olhos ao mundo e ostentava com autoridade o conhecimento como luz, parece agora se encher de trevas e encolhe seu tamanho e importância, ofuscada pela prática autocrática e ineficaz capitaneada pelo presidente da mantenedora.


No epicentro dessa tragédia, um pequeno grupo - mas muito influente - sequestrou a universidade regional para si. Tomaram de assalto o Conselho Diretor - principal órgão deliberativo que envolve a Universidade - e concentram as decisões baseadas em seu interesse particular. Como únicos soberanos da razão, cerceiam o diálogo e perseguem sistematicamente  professores, estudantes e funcionários que se preocupam com o modo que a UCS está sendo conduzida. O principal responsável pela má-gestão e crise institucional é o presidente da Fundação Universidade de Caxias do Sul, José Quadros dos Santos. Em seu cartão de visitas mostrou ao que veio: sob protestos da comunidade acadêmica, tomou o cargo a partir de uma manobra nas eleições para o Conselho Diretor.


O grupo liderado por Quadros aposta na mudança estética e de marca, exaltando a FUCS acima da UCS, seja nas divulgações quanto nos espaços de representação institucional. Centralizou para sua gerência setores estratégicos da UCS, demitindo funcionários com décadas de casa por não se adaptarem ao seu modo de trabalho, colocando em risco a autonomia universitária, passando por cima de diretrizes discutidas nos fóruns institucionais. Na prática, suas atitudes colocam em risco certificados e benefícios sociais que a UCS goza pelo seu caráter comunitário, comprometendo o orçamento e prejudicando ainda mais os estudantes e professores. 


Além disso, o empobrecimento da população e o cenário econômico atual não podem ser usados como desculpa pela perda de mais de 15 mil alunos nos últimos anos, antes da pandemia. Muitas das decisões equivocadas poderiam ser evitadas a partir do diálogo e construção coletiva. No entanto, o gestor ineficaz segue na contramão e convicto de sua soberania. Como único proprietário da razão, segue a intransigência, a falta de transparência e informações. Nesse sentido, com o agravamento dos efeitos da pandemia, aumentam as chances de que a UCS saia desse período ainda mais débil, com inexpressiva perspectiva e muito distante do patamar projetado pela comunidade que tanto investiu e se sacrificou para o bem da instituição. Por conta das atitudes medíocres do presidente do Conselho Diretor que fez nossa universidade como refém, o espaço de educação que teria o compromisso em contribuir decisivamente para a superação dos desafios sociais do presente, não dá as respostas necessárias e urgentes, foge dos seus problemas e maquia com propaganda a sujeira debaixo do tapete.


Portanto, o cenário em que estamos exige a união de esforços em defesa da universidade comunitária: uma UCS pujante, com ensino de excelência, acessível e popularizada; uma instituição preocupada com o desenvolvimento humano, econômico e regional, sendo espaço de discussão e do contraditório, da democracia e do respeito à diversidade. Para isso, é imperativo que José Quadros dos Santos renuncie seu cargo para que pessoas realmente comprometidas com o futuro da UCS possam direcionar um caminho eficiente e democrático. A continuidade de Quadros no comando da universidade é incompatível com um caminho próspero e promissor.


Seguiremos em defesa da universidade comunitária! 

Fora Quadros!



Um comentário: Leave Your Comments

  1. Que lástima essa situação em que a UCS, minha Universidade, se encontra. É notório a queda de alunos, infelizmente...

    ResponderExcluir